América-latina, guinada à esquerda, bolivarianismo e desgraça

19:36
O Brasil não é uma ilha, como se sabe amplamente. Além de possuirmos vizinhos, eles são bem parecidos conosco, e algumas gerações até se entendem como corpo único. Foi o caso da esquerda boomer, bastante unida, que começou a chegar ao poder nos países da América Latina no final dos anos 90. A partir daí, passou a demonstrar na prática o que já havia sido planejado nos anos anteriores. Para entender o PT, é fundamental entender este contexto. Falarei sobre o modelo venezuelano, que basicamente foi aspirado por todos os outros partidos de esquerda no poder.


A Venezuela sempre foi o exemplo mais claro de toda bagunça esquerdista, ou melhor, “bolivariana”. Depois de anos de confusão política no país, o ex-militar Hugo Chávez era eleito presidente em 1998. Com as instituições da república praticamente desestruturados, Chávez pôde implementar medidas que aumentassem seu poder e deixassem o país cada vez mais com a cara de Cuba. O regime se tornou plebiscitário, que na novilíngua bolivariana se chamava “democracia direta”. Ou seja, as ações do presidente-ditador não precisavam passar pelo Congresso, pois teriam o aval da população por meio de plesbiscitos. Tudo era feito mediante consulta da população. O ardil é que, com propaganda partidária a torrar o cérebro da população 24 horas por dia, combinada com pronunciamentos presidenciais que duravam eternidades, era praticamente impossível haver alguma discordância do eleitor médio com os rumos do governo. 


A Revolução Bolivariana, como chamavam, era inspirada em Simon Bolívar, o aspirante a Napoleão dos trópicos que confrontou a coroa espanhola no século XIX. Que este homem confrontava a coroa apenas porque queria um reino para si nunca veio ao caso; o fato é que ele se tornou inspiração e símbolo para os socialistas desde continente.


Motivados também por Antonio Gramsci, comunista italiano que propusera métodos de infiltração e paciência para os marxistas, os progressistas latino-americanos foram pouco a pouco tomando conta das máquinas públicas. Quando cai o muro de Berlim, pululam marxistas em todos os cantos dos países sul americanos, o que explica que estamos sempre uns par de anos atrasados.


Voltemos a 2014 e façamos um balanço. Naquela altura mais de 10 países eram governados pela esquerda de orientação marxista, entre eles Brasil, Bolívia, Chile, Equador, Argentina, Peru, Uruguai e Equador. Através do Foro de São Paulo, articulavam estratégias de longo prazo para subirem ao poder e ajudarem uns aos outros, tendo em vista a “Pátria Grande”, um superpaís latino-americano socialista, claro, aos moldes da União Soviética, mas não comunista, segundo os próprios. 


Portanto, é de se imaginar que muita pobreza e miséria vinha sendo cultivada em 2014. Chávez, líder máximo do movimento bolivariano e membro do triunvirato da Pátria Grande, juntamente com Lula e Fidel Castro, morrera em março de 2013, e em seu lugar sentou Nicolás Maduro. Uma massa de revoltosos emergia, e o país começava a ser conhecido pelas novas gerações como o maior exemplo de uma nação que fracassou. Contudo, aqui, na América Latina, a Venezuela continuava sendo a maior inspiração para os governantes.

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