Quando a onda conservadora atingiu o cenário político brasileiro

08:20
Esse artigo faz parte da série "Declínio e Queda do Império da Mortadela", na qual reviso a falência do Partido dos Trabalhadores, das manifestações de 2013 ao impeachment de Dilma e prisão de Lula. O objetivo é contextualizar o conteúdo do blog durante a Era PT e demonstrar como o processo pelo qual passamos até hoje começou. Neste artigo em questão, o primeiro da série, abordo o momento em que a onda conservadora de direita atingiu o cenário político brasileiro.

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Era 2013, e este parecia que ser o ano do petismo. O Império da Mortadela seguia fulminante ao seu destino inexorável: a hegemonia do partido governante. Luís Inácio Lula da Silva, o imperador emérito, batia no peito orgulhoso e exaltava o trabalho feito pelos petistas onde estivesse*. 


Seu canto de sereio bêbado levava ao transe não só a militância mortadélica, mas também a imprensa, o mercado, os partidos políticos e até a tal “oposição”, claro, que era apenas uma versão petista mais limpinha e com capacidade para dar nó na gravata*.


Mãe Dilma e Pai Lula

Apesar de formalmente entronada, Dilma se limitava a uma encenação patética, da gerentona forte, enquanto ordens e decisões que decapitavam cabeças vinha de Lula. Em certo tempo, o gado petista não só via o cachaceiro como o presidente de fato, como passava a enxergá-lo como uma espécie de portador único da verdade. Sua rouquidão alcoolizada e hipnótica embriagou todo o país, que aceitava naturalmente impropérios lançados contra qualquer possível inimigo. 


Lula já falava em disputar o gado com os pastores evangélicos, uma vez que, para ele, a oposição caminhava inexoravelmente à aniquilação absoluta*. Aquele encanto retórico era recitado em português peculiar, mas muito claramente: é preciso destruir os adversários sem piedade, antes que eles mesmos fossem destruídos.


Guerra aos conservadores imaginários

Até o fim do primeiro semestre daquele ano, Lula declarava constantemente guerra aos “conservadores” em suas rotineiras turnês pelo Brasil. O Imperador de Garanhuns reiteradamente mencionava o avanço de uma grande onda conservadora* que, na prática, não existia, mas que sua velha e experiente intuição previa. O que dava a entender era que Lula vira muitas ondas devastarem o cenário político antes, e a hora de um novo ciclo chegara. 


Lula certamente pensava dia a dia em todo o esforço aplicado para mover seu modelo progressista e revolucionário ao longo das décadas passadas. Àquela altura, no poder já há 10 anos, o sistema funcionava para além do bem e do mal, e todo o país sucumbia aos pés do líder petista. 


Mas, sensitivo como poucos, percebera um cheiro estranho na atmosfera, como daqueles espectros que rondam países de tempos em tempos a anunciar mudanças traumáticas e profundas; por isso, ia até os incautos revolucionários e alertava: “Atentai, cumpanhêros! O inimigo se aproxima como um turbilhão!”.


Então chegou o mês de junho e o início da queda.

Veja: Minuto com o Rei de Garanhuns

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