Manifestações de 2013: o que aconteceu

19:29
Esse artigo faz parta da série "Declínio e Queda do Império da Mortadela", na qual reviso a falência do Partido dos Trabalhadores, das manifestações de 2013 ao impeachment de Dilma e prisão de Lula. O objetivo é contextualizar o conteúdo do blog durante a Era PT e demonstrar como o processo pelo qual passamos até hoje começou. Neste artigo em questão, o segundo da série, abordo o que aconteceu de fato nas manifestações de 2013.

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Começou baixinho e pequeno, com um protesto juvenil. Universitários, cansados de sonhar com as grandes questões humanistas dentro do diretório acadêmico, atenderam ao chamado de um movimento chamado Passe Livre que os convocava à prática. O objetivo principal era reduzir os 20 centavos de aumento na passagem do transporte coletivo paulistano. Evidentemente, os barbudinhos dessa geração não abandonaram a luta pelo paraíso socialista, mas, como são muito mais realistas que os boomers de outrora, por ora, bastava a redução do preço do busão.


O estopim que estourou a paciência estudantil foi causado pelo prefeito Fernando Haddad, petista, ex-ministro da Educação Lulista e um conhecido ignorante que também era candidato a poste oficial de Lula após a saída de Dilma. Poucos questionaram o fato de que a maioria dos jovens revoltados nunca pegaram um ônibus. A justificativa, contudo, tornou-se a própria palavra de ordem que guiou as manifestações: não era por 20 centavos!


Sim, aquele troco de bala era um símbolo para algo mais. Para melhores políticas públicas, para uma melhor, para um mundo melhor, para mais justiça social, para mais bondade entre os homens e tantas outras reivindicações que iluminam os olhos dos jovens idealistas e que mascaram alguma tirania por vir.


Como o protestinho se tornou movimento de massa
O mantra dos 20 centavos não durou muito. O que aqueles revolucionários estudantis propuseram motivou mais protestos. Eles não previam que o cidadão brasileiro, acebolado, banguela e típico bronco conservador, acostumado a ser tratado como cão sarnento apenas por existir, queria todo mundo fora do poder.


O governo tinha aprovação, a oposição não tinha força, a imprensa estava amestradinha, e mesmo assim o povo queria chutar a elite dirigente. Por quê?


O Brasil assistia os desdobramentos do escândalo do Mensalão, que agora acontecia no Supremo Tribunal Federal. O brasileiro cotidianamente estava exposto ao julgamento dos honoráveis mensaleiros, em especial os petistas José Dirceu, José Genoíno, João Paulo Cunha, Henrique Pizzolato.


Estes e mais alguns estavam prestes a conhecer sua pena por terem assaltado a população logo nos primeiros anos de petismo. A ação corrupta da turma do Lula estava sendo demonstrada em streaming para todo o Brasil, e para horror do partido a turma de juízes ministros parecia gostar dos holofotes, como se fossem eles mesmos os heróis que purificariam a vida pública nacional.


Ao contrário do que Lula gritava pelos palanques do país, os sentimentos da população sobre a atuação do governo petista não eram bons. Pelo contrário, no ventre do tecido social estava sendo gerado um sentimento de revolta contra o Partido dos Trabalhadores.


Para usar uma imagem simples, o ódio brasileiro, que estava em ebulição, foi ascendido pelas chamas de um protesto “por 20 centavos”, um palito de fósforo incendiou um país.

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