Rolezinho foi um movimento social? Teve desigualdade e discriminação?

19:33
É necessário mencionar a suposta guerra de classes que tomou o Brasil durante os anos do PT. Para um marxista, ela sempre esteve presente, desde os tempos cavernosos. Para as pessoas normais, guerra mesmo só aquela com tiranetes, armas e tal. Enfim, o clima de polaridade se tornou acentuado na Era Lula, incentivado pelo próprio Imperador, que cotidianamente esclarecia que os ricos não queriam ver os pobres com dinheiro, que patrões não queriam ver empregadas na Disney, que os brancos não queriam ver negros de porsche e aquela coisa toda.

Um grande emblema deste simulacro de guerra ocorreu em janeiro de 2014, na esteira da crise iniciada com as manifestações. O brasileiro passou a conhecer o rolezinho, uma prática adolescente que mistura de flashmob com cultura funk. Jovens oriundos de zonas pobres, principalmente de favelas, combinavam passeios (rolês) em praças, parques e shoppings. Até aí tudo normal. O problema é que os rolezinhos acumulavam centenas, até milhares, de jovens, que iam para o mesmo lugar ao mesmo tempo. Para piorar, como a porcentagem de bandidos cresce naturalmente na medida em que aumenta o número de pessoas, não demorou para surgirem minibandidos infiltrados nos rolezinhos com o objetivo de realizarem arrastões e assaltos nas lojas.

Evidentemente, em consequência desse comportamento, os shoppings passaram a banir os jovens. O rolezinho era censurado para evitar perdas de patrimônio.

Recapitulando: lojistas de shoppings, portanto, empresários, impediram jovens da favela, portanto, oprimidos, de entrarem no ambiente comercial. Pronto: a fórmula estava dada.

Diante dessa situação é difícil não compreender o marxista, que vive sua vida farejando situações extremas de opressão e símbolos agressivos de guerra de classe para levantar sua bandeira e declarar a palavra de salvação. O burguês rico chutando os meninos pobres é uma imagem linda, emocionante, para a exploração marxista.

A partir daí o debate se acalorou. Como de praxe em situações dessa natureza, surgiram sociólogos até das árvores para explicar o fenômeno. Guardadas as nuances de cada análise, todas elas apontavam para o apartheid brasileiro, para a brutalidade de uma sociedade branca, de classe média, que simplesmente não consegue estar no mesmo ambiente de jovens de pele escura.

O Brasil quase esqueceu o rolezinho. Talvez ele surja novamente um dia. Mas a guerra de classes está intrínseca na existência das sociedades modernas. Pelo menos é o que se discute na academia há 150 anos.

A minha opinião é muito mais humilde e simplória que a dos doutos socialistas: acredito que os jovens só queriam se divertir, e os lojistas vender; com centenas de adolescentes juntos, e bandidinhos entre eles, o público se assusta e não compra, e o resultado é o banimento do rolezinho. Não se trata de preconceito, de apartheid, mas da simples lógica fria do mercado: sem público, sem lucro; sem lucro, sem comércio, sem emprego, sem mercado... É uma análise mais feia, mais bruta e sem brilho, que jamais geraria um trabalho de pós-graduação, porém é mais realista. 

Infelizmente para alguns, o mundo segue as coordenadas do próprio mundo, e não de livros escritos por intelectuais, por mais geniais e bondosos que estes fossem.

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