O machismo matará Andressa Urach, segundo feminista do R7

09:02


Não tenho dúvidas de que a maior dificuldade do movimento feminista é a falta de engajamento das mulheres. O número daquelas que atingiram a iluminação e compreenderam o sentido e o destino das mulheres é baixíssimo. O que resta às poucas a frente de seu tempo é tentar explicar para mulher comum e retrógrada - o tipinho que insiste em agir naturalmente - que elas são diariamente oprimidas pelo pênis invisível que ocupa cada metro cúbico de ar que respiramos nesse mundo.

Uma dessas heroínas das mulheres é Marcella Franco, blogueira do R7, que embora deixe de atualizar a bio de seu blog para permanecer pra sempre jovem, já bate na marca dos 33 anos, idade que normalmente os seres humanos normais já atingiram a plena maturidade. Na sociedade humana atual lembrar desse fato é considerado um desrespeito, um ato reacionário. Homens e mulheres lutam diariamente para ter a vida feita aos 25, e parar por aí, se for possível até de envelhecer.

Franco escreveu na sua página uma tese totalmente verificável e verossímil sobre Andressa Urach, que acredito ser uma modelo, o que não vem ao caso. O ponto é que essa mulher sofreu complicações numa cirurgia estética e está em estado grave. Eu mesmo vi algumas notícias na internet há uns dias - não as li - que diziam que ela tinha melhorado.

Mas certamente ela irá morrer, porque Marcella Franco disse isso no título do seu texto, e pela clarividência nos seus argumentos, ela está correta.

A raça macha seria a responsável pelo estado de Urach por enxergar cada vez mais mulheres como itens descartáveis, levando-as à loucura absoluta. Pois exigem sempre que as mulheres estejam "firmes, apetitosas, lisas, jovens". 


Podemos verificar isso, caso um cético venha a duvidar, olhando para nossa mãe, sendo sempre aliciada pelo nosso pai para que se mantenha "firme, apetitosa, lisa e jovem". Também entre os idosos cansamos de presenciar o vovô oprimindo a vovó por ela ter cometido o crime de envelhecer.

Também observamos o fenômeno com frequência entre nossos casais amigos, com os familiares, com os vizinhos, com os mendigos da rua. Esses dias mesmo tive o desprazer de ver um mendigo-hippie-mascu dizendo para sua mulher: "pô, você não tá se depilando".


Percebemos isso a todo tempo. O homem não é como o gato, o cachorro, o macaco, o cavalo, que simplesmente se satisfazem com sua donzela assim como a recebeu da natureza. O homem é um animal mau, que exige abaixo de chicotadas patriarcais que a mulher se depile, se pinte, ponha próteses e faça plásticas.


Está na nossa natureza! Os homens só tiram sua outra cabeça para espiar cá o mundo de fora para aliviar a bexiga, e lá de vez em quando, se a mulher tá limpa, lisa, apetitosa, e siliconada, ele leva seu pênis para visitar o órgão sexual feminino. Poderia-se presumir que um dá sentido à existência do outro, mas entre os humanos as leis são outras.


A natureza no homem é diferente! Lá entre os animais o sexo acontece inevitavelmente para a expansão da espécie, mas entre nós não, pois o homem só sente vontade de penetrar sua fêmea quando ela está ostentando a beleza postiça, comprada por aí. O que concluímos que o sexo do homem é postiço, é uma mentira, segundo Franco.


Um leitor maldoso diria que a jornalista do R7 escreveu isso porque certamente aconteceu muito com ela. Esse sujeito é apenas mais um estúpido e ignorante que ainda não percebeu que Franco realmente conhece as particularidades de todas as mulheres da Terra.


No desenvolvimento de suas reflexões, a "bonitinha mas ordinária" esclarece que os homens trocam com "tamanha facilidade pela menina mais bonita e mais nova", me deixando cair na real que eu não sou homem, nem meus familiares e amigos. Para falar a verdade, acho que conheci pouquíssimos homens na vida.


Essa vida é uma surpresa, você vai passando pelas décadas e descobrindo que mulher é outra coisa, e o homem também.


Num só texto, relativamente curto, com a maestria de um alquimista, Franco: 1. cria uma raça; 2. declara o fim das relações sexuais do homo sapiens; 3. monstra-nos que homens e mulheres mesmo são poucos (o resto dos outros são seres parecidos com humanos). Tudo isso para arrematar com um insight preciso: tudo isso 'é uma guerra perdida', pois 'sempre haverá um corpo mais perfeito que o seu, mais jovem que o seu, mais gostoso que o seu'. Infelizmente a autora esqueceu de complementar dizendo que o homem tem pênis, e a mulher, vagina.


Tá na hora da "bonitinha ordinária" mudar a bio, sinto que está vindo o amadurecimento.


Vimos que além de jornalista e filosofa, Franco também é uma grande contorcionista. Provar que pau na verdade é pedra exige uma flexibilidade argumentativa de um ser da quinta dimensão. E de sobra criou um estilo novo e distinto de escrita, onde se começa falando de um terceiro e termina por dissertar sobre si mesmo.



Nenhum homem obrigou Urach, afirmou Franco, a injetar sei lá o que, sei lá onde, mas a culpa é da raça macha. Essa é a REAL verdade, não essa verdade plausível, lógica, e factual. Marcella Franco fala da verdade verdadeira, que se encontra apenas na mente de poucas pessoas, todas mulheres. Um seleto grupo, que um dia haverá de convencer todas as outras 3.895.756.548 de que elas estão erradas em fazerem o que querem do corpo delas. Trabalho duro. Boa sorte a elas!

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